Notícias "Brasil de Fato"

quarta-feira, 25 de maio de 2011

PÃO, CIRCO E INCOMPETÊNCIA

           Presenciamos recentemente uma polêmica decorrente da rejeição pela Câmara Municipal de Franca do projeto “Circuito Cultural Musical”.  Na internet a discussão se estendeu, com ataques aos vereadores contrários ao projeto.  Entretanto tais discussões são superficiais e não fazem uma reflexão correta sobre o tema.

            Primeiro ponto: o que é Cultura?  Para o Antropólogo da Unicamp, José Luiz dos Santos, cultura é algo plural, diverso e que se altera ao longo da história.  Para esse autor, Cultura é uma dimensão da vida de uma sociedade, sendo uma construção histórica e um produto coletivo da vida humana.  Não sendo única, ela também reflete a divisão da sociedade em classes sociais, podendo então ser usada para reforçar o poder das classes dominantes.
            Outro autor, Otávio Ianni em seu livro “Imperialismo e Cultura”, afirma que para a classe dominante continuar a exercer seu poder ela deve se expressar em “idéias, valores, princípios e doutrinas organizados segundo as determinações básicas do modo capitalista de produção”.  Para ele, a ideologia dominante influencia e predomina no pensamento das classes sociais dominadas.  Ou seja, a cultura passa a ser então instrumento para reforçar determinados valores e para impedir ou dificultar a manifestação de idéias que contraponham esse poder, essa dominação de classe.
            Na teoria, tudo certo, mas então como isso se manifesta na vida real, no nosso cotidiano?  Simples: através da existência ou não de uma política cultural, analisando os focos de investimento do poder público, se é centralizador ou democratizante, entre outros.
            Vamos então ao caso de Franca.  Em nossa cidade, não existe um Conselho Municipal de Cultura, onde a diversidade cultural poderia estar representada, contribuindo para a criação de uma Política Cultural que valorizasse as centenas de grupos e manifestações locais, nos bairros e regiões de nossa cidade.  Isso leva então à que toda ação cultura seja definida pela FEAC e pela Prefeitura.
            Outro ponto é o grande investimento em estruturas no centro da cidade, como a construção do Teatro de Bolso ao lado do Teatro Municipal, sendo que tal investimento poderia ter sido feito para contemplar alguma região que não tenha estrutura cultural em Franca. 
            Outro exemplo foi a desapropriação de casas na área central para a criação do Museu Regina Duarte, com custo de investimento (entre prefeitura e governo do Estado) de quase 3 milhões de reais.  E, convenhamos, outras pessoas como Luiz Cruz, Carlos Assunção, Perpétua Amorim, Everton de Paula e Abdias Nascimento contribuem com muito mais valor para o desenvolvimento cultural de nossa cidade e nosso país no tocante à diversidade cultural.         Esse custo poderia ser investido em parceria com o Governo Federal no projeto “Espaço Mais Cultura”, que foi lançado em 2010 e não teve um projeto sequer inscrito pela prefeitura de Franca.  Com esse projeto nossa cidade poderia obter espaços culturais multi-uso, com área verde, salas de aulas, biblioteca, anfiteatro, oficinas, refeitório.  A contrapartida municipal deveria ser apenas a cessão da área e 10% do valor da obra (em média 500 mil reais cada unidade), ou seja, cerca de 50 mil reais. 
            No tocante especificamente ao projeto apresentado pela prefeitura, uma série de erros primários, superficialidades e incoerências levaram à rejeição correta pelos vereadores.  Talvez convencido da maioria folgada que sempre teve na Câmara, o prefeito tentou enfiar “goela abaixo” dos vereadores e da cidade algo sem pé nem cabeça.
            O senhor prefeito encaminhou o projeto 60/2011 em apenas uma página, solicitando “créditos adicionais suplementares no valor total de até R$ 320.000,00 (trezentos e vinte mil reais) na seguinte classificação orçamentária:
060100 FUNDAÇÃO ESPORTE, ARTE E CULTURA - FEAC
060102 DIVISÃO DE CULTURA-FEAC
133926002 Apoio às atividade s cultura is e populares-FEAC
2602 Manutenção das Atividades Culturais-FEAC
33903900 Outros Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica”
            O projeto de lei também não informa nada além disso, nem tampouco qual empresa ficaria responsável pela execução do projeto.  Entretanto, para justificar sua aprovação, o prefeito anexou ao fim um OUTRO projeto, chamado “DIEGO FIGUEIREDO CONVIDA”. 
            Mais adiante, em comunicação da FEAC ao prefeito datada de 14 de março e também anexada, o projeto ganha o nome de CIRCUITO CULTURAL DIEGO FIGUEIREDO.  Ou seja, o poder público não se entende nem quanto ao básico, ou seja, a denominação do projeto.  Entretanto, é nessa comunicação, e não no projeto de lei ou no projeto anexado que estão indicados a quantidade de shows a serem realizados (8 no total), o local (ginásio Amauri Destro, no Poliesportivo), a capacidade dos shows (2 mil pessoas) e a empresa responsável, “a empresa do Diego Figueiredo” (sic).
            O projeto anexado (que não é o projeto de lei) indica ainda que “também será uma oportunidade para empresas francanas que queiram participar de um patrocínio associando seu nome a um evento de extremo prestigio social e cultural”
            O projeto é tão mal formulado que indica como “Justificativa do Projeto” o Currículo do nosso artista francano.  Em lugar algum aparece a gratuidade dos shows, a entrada em troca de um quilo de alimentos, para quem esses alimentos seriam destinados, como as empresas francanas seriam selecionadas.
            Em relação aos artistas que viriam à Franca, não há nenhum documento deles concordando com o projeto e comprometendo-se à apresentarem-se em Franca.  E legalmente não podemos usar nomes de terceiros sem que esses manifestem-se por escrito.  Isso chama-se “termo de anuência”.  Qualquer projeto que necessite de verbas públicas e que indique terceiros para sua execução deve necessariamente indicar que esses terceiros concordam, mesmo que relações de amizade forte existam.  Essa é a única garantia do poder público, dos investidores e da população em geral de que o projeto de fato ocorrerá.
            Enfim, a prefeitura tentou aprovar um “arremedo” de projeto, confuso, superficial, insuficiente e contraditório.  Um desrespeito ao cidadão francano, aos demais grupos e artistas locais que tem um apoio irrisório da FEAC, como a insuficiente “bolsa cultura” que destinará cerca de 120 mil reais para mais de 20 grupos ou artistas locais, num processo burocrático tão irreal que as pessoas jurídicas concorrentes devem ter declaração de utilidade pública.
            O prefeito municipal prefere sempre a lógica do autoritarismo e do “eu faço, o povo obedece”: centraliza as decisões e centraliza os investimentos.  Numa cidade em que o transporte público é monopolizado e tem uma das tarifas mais caras do Brasil, a centralização das políticas culturais é uma barreira à população.
            Esse episódio é apenas mais uma demonstração que cultura, em seu sentido amplo, plural e diverso não foi jamais prioridade do prefeito, uma vez que não temos uma Política Cultural em Franca, mas simplesmente o antigo “pão e circo”, mas nesse caso, sem o pão!

(para quem quiser acessar o “projeto” completo, ele está disponível em:

Tito Flávio Bellini
Prof. da Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM
Coordenador de Comunicação do Instituto Práxis de Educação e Cultura - IPRA

Tiririca e Dr. Ubiali votaram a favor do novo código anti-florestal




Fonte: http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/plenario

54a. LEGISLATURA
PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA
SESSÃO EXTRAORDINÁRIA Nº 123 - 24/05/2011

Abertura da sessão: 24/05/2011 20:01
Encerramento da sessão: 25/05/2011 00:10
Proposição: PL Nº 1876/1999 - DVS - PMDB - EMENDA Nº 164 - Nominal Eletrônica
Início da votação: 24/05/2011 23:50
Encerramento da votação: 25/05/2011 00:03
Presidiram a Votação:
Marco Maia



Resultado da votação

Sim: 273
Não: 182
Abstenção: 2
Total da Votação: 457
Art. 17: 1
Total Quorum: 458
Obstrução: 1
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Presidente da Casa: Marco Maia - PT /RS
Presidiram a Sessão: 
Marco Maia - 20:01
Inocêncio Oliveira - 00:05
Marco Maia - 00:08

Orientação
PT: Não
PMDB: Sim
PsbPtbPcdob: Liberado
PrPrbPtdobPrtbPrpPhsPtcPsl: Não
PSDB: Sim
DEM: Sim
PP: Sim
PDT: Sim
PvPps: Não
PSC: Sim
Repr.PMN: Liberado
PSOL: Não
Minoria: Sim
GOV.: Não

Parlamentar UF Voto
DEM
Abelardo Lupion PR Sim
Alexandre Leite SP Sim
Antonio Carlos Magalhães Neto BA Sim
Arolde de Oliveira RJ Sim
Augusto Coutinho PE Sim
Claudio Cajado BA Sim
Davi Alcolumbre AP Sim
Eduardo Sciarra PR Sim
Efraim Filho PB Sim
Eleuses Paiva SP Sim
Fábio Souto BA Sim
Felipe Maia RN Sim
Fernando Torres BA Não
Guilherme Campos SP Sim
Heuler Cruvinel GO Sim
Hugo Napoleão PI Sim
Irajá Abreu TO Sim
Jairo Ataide MG Sim
Jorge Tadeu Mudalen SP Sim
José Nunes BA Abstenção
Júlio Campos MT Sim
Júlio Cesar PI Sim
Junji Abe SP Sim
Lira Maia PA Sim
Luiz Carlos Setim PR Sim
Mandetta MS Sim
Marcos Montes MG Sim
Mendonça Prado SE Sim
Onofre Santo Agostini SC Sim
Pauderney Avelino AM Sim
Paulo Cesar Quartiero RR Sim
Paulo Magalhães BA Sim
Professora Dorinha Seabra Rezende TO Sim
Rodrigo Maia RJ Sim
Ronaldo Caiado GO Sim
Vitor Penido MG Sim
Walter Ihoshi SP Sim
Total DEM: 37   
PCdoB
Aldo Rebelo SP Sim
Alice Portugal BA Sim
Assis Melo RS Sim
Chico Lopes CE Sim
Delegado Protógenes SP Sim
Edson Pimenta BA Não
Evandro Milhomen AP Sim
Jandira Feghali RJ Sim
Jô Moraes MG Sim
Luciana Santos PE Sim
Manuela D`ávila RS Sim
Osmar Júnior PI Sim
Perpétua Almeida AC Sim
Total PCdoB: 13   
PDT
Ademir Camilo MG Não
André Figueiredo CE Não
Ângelo Agnolin TO Sim
Brizola Neto RJ Não
Damião Feliciano PB Não
Dr. Jorge Silva ES Não
Enio Bacci RS Sim
Felix Mendonça Júnior BA Sim
Flávia Morais GO Não
Giovani Cherini RS Sim
Giovanni Queiroz PA Sim
João Dado SP Não
José Carlos Araújo BA Sim
Manato ES Sim
Marcelo Matos RJ Não
Marcos Medrado BA Não
Miro Teixeira RJ Não
Oziel Oliveira BA Sim
Paulo Pereira da Silva SP Não
Paulo Rubem Santiago PE Não
Reguffe DF Não
Salvador Zimbaldi SP Não
Sebastião Bala Rocha AP Obstrução
Sueli Vidigal ES Não
Vieira da Cunha RS Não
Wolney Queiroz PE Não
Zé Silva MG Sim
Total PDT: 27   
PHS
Felipe Bornier RJ Sim
José Humberto MG Sim
Total PHS: 2   
PMDB
Adrian RJ Sim
Alberto Filho MA Sim
Alceu Moreira RS Sim
Alexandre Santos RJ Sim
Almeida Lima SE Sim
André Zacharow PR Sim
Aníbal Gomes CE Sim
Antônio Andrade MG Sim
Arthur Oliveira Maia BA Sim
Átila Lins AM Sim
Benjamin Maranhão PB Sim
Camilo Cola ES Não
Carlos Bezerra MT Sim
Celso Maldaner SC Sim
Danilo Forte CE Sim
Darcísio Perondi RS Sim
Edinho Araújo SP Sim
Edinho Bez SC Sim
Edio Lopes RR Sim
Edson Ezequiel RJ Sim
Eduardo Cunha RJ Sim
Elcione Barbalho PA Sim
Fabio Trad MS Sim
Fátima Pelaes AP Sim
Fernando Jordão RJ Sim
Flaviano Melo AC Sim
Francisco Escórcio MA Sim
Gastão Vieira MA Sim
Gean Loureiro SC Sim
Genecias Noronha CE Sim
Geraldo Resende MS Sim
Henrique Eduardo Alves RN Sim
Hermes Parcianello PR Sim
Hugo Motta PB Sim
Íris de Araújo GO Sim
João Arruda PR Sim
João Magalhães MG Sim
Joaquim Beltrão AL Sim
José Priante PA Sim
Júnior Coimbra TO Sim
Leandro Vilela GO Sim
Lelo Coimbra ES Sim
Luciano Moreira MA Sim
Lucio Vieira Lima BA Sim
Manoel Junior PB Sim
Marcelo Castro PI Sim
Marinha Raupp RO Sim
Marllos Sampaio PI Sim
Mauro Benevides CE Sim
Mauro Mariani SC Sim
Mendes Ribeiro Filho RS Sim
Moacir Micheletto PR Sim
Natan Donadon RO Sim
Nelson Bornier RJ Sim
Newton Cardoso MG Sim
Nilda Gondim PB Sim
Osmar Serraglio PR Sim
Osmar Terra RS Sim
Paulo Piau MG Sim
Pedro Chaves GO Sim
Professor Setimo MA Sim
Raimundão CE Sim
Raul Henry PE Sim
Reinhold Stephanes PR Sim
Renan Filho AL Sim
Rogério Peninha Mendonça SC Sim
Ronaldo Benedet SC Sim
Saraiva Felipe MG Sim
Solange Almeida RJ Sim
Teresa Surita RR Sim
Valdir Colatto SC Sim
Washington Reis RJ Sim
Wladimir Costa PA Sim
Total PMDB: 73   
PMN
Dr. Carlos Alberto RJ Sim
Fábio Faria RN Sim
Jaqueline Roriz DF Sim
Walter Tosta MG Não
Total PMN: 4   
PP
Afonso Hamm RS Sim
Aguinaldo Ribeiro PB Não
Arthur Lira AL Não
Beto Mansur SP Sim
Carlos Magno RO Sim
Carlos Souza AM Sim
Cida Borghetti PR Sim
Dilceu Sperafico PR Sim
Dimas Fabiano MG Sim
Eduardo da Fonte PE Não
Esperidião Amin SC Sim
Gladson Cameli AC Sim
Iracema Portella PI Não
Jair Bolsonaro RJ Sim
Jeronimo Goergen RS Sim
Lázaro Botelho TO Sim
Luis Carlos Heinze RS Sim
Luiz Argôlo BA Não
Márcio Reinaldo Moreira MG Não
Missionário José Olimpio SP Sim
Nelson Meurer PR Sim
Neri Geller MT Sim
Paulo Maluf SP Sim
Rebecca Garcia AM Não
Renato Molling RS Sim
Roberto Balestra GO Sim
Roberto Britto BA Não
Roberto Dorner MT Sim
Sandes Júnior GO Não
Simão Sessim RJ Não
Toninho Pinheiro MG Sim
Vilson Covatti RS Sim
Waldir Maranhão MA Não
Zonta SC Sim
Total PP: 34   
PPS
Arnaldo Jardim SP Sim
Arnaldo Jordy PA Não
Augusto Carvalho DF Não
Carmen Zanotto SC Sim
César Halum TO Sim
Dimas Ramalho SP Sim
Geraldo Thadeu MG Sim
Moreira Mendes RO Sim
Rubens Bueno PR Sim
Sandro Alex PR Sim
Stepan Nercessian RJ Sim
Total PPS: 11   
PR
Aelton Freitas MG Sim
Anthony Garotinho RJ Sim
Aracely de Paula MG Sim
Bernardo Santana de Vasconcellos MG Sim
Diego Andrade MG Sim
Dr. Adilson Soares RJ Não
Dr. Paulo César RJ Não
Francisco Floriano RJ Sim
Giacobo PR Sim
Giroto MS Sim
Gorete Pereira CE Não
Henrique Oliveira AM Não
Homero Pereira MT Sim
Inocêncio Oliveira PE Não
Izalci DF Não
Jaime Martins MG Sim
João Carlos Bacelar BA Não
João Maia RN Sim
Laercio Oliveira SE Sim
Liliam Sá RJ Não
Lincoln Portela MG Não
Luciano Castro RR Não
Lúcio Vale PA Não
Maurício Quintella Lessa AL Não
Maurício Trindade BA Sim
Neilton Mulim RJ Não
Paulo Freire SP Não
Ronaldo Fonseca DF Não
Tiririca SP Sim
Vicente Arruda CE Não
Wellington Fagundes MT Sim
Zoinho RJ Sim
Total PR: 32   
PRB
Antonio Bulhões SP Sim
George Hilton MG Sim
Heleno Silva SE Sim
Jhonatan de Jesus RR Sim
Jorge Pinheiro GO Não
Márcio Marinho BA Sim
Otoniel Lima SP Não
Ricardo Quirino DF Sim
Vilalba PE Sim
Vitor Paulo RJ Sim
Total PRB: 10   
PRP
Jânio Natal BA Não
Total PRP: 1   
PRTB
Aureo RJ Não
Vinicius Gurgel AP Não
Total PRTB: 2   
PSB
Abelardo Camarinha SP Não
Ana Arraes PE Não
Antonio Balhmann CE Não
Ariosto Holanda CE Não
Audifax ES Não
Dr. Ubiali SP Sim
Edson Silva CE Não
Fernando Coelho Filho PE Não
Gabriel Chalita SP Não
Givaldo Carimbão AL Não
Glauber Braga RJ Não
Gonzaga Patriota PE Não
Jefferson Campos SP Não
Jonas Donizette SP Não
José Stédile RS Não
Júlio Delgado MG Não
Keiko Ota SP Não
Laurez Moreira TO Sim
Leopoldo Meyer PR Não
Luiz Noé RS Sim
Luiza Erundina SP Não
Mauro Nazif RO Sim
Pastor Eurico PE Sim
Paulo Foletto ES Sim
Ribamar Alves MA Não
Romário RJ Não
Sandra Rosado RN Sim
Valadares Filho SE Não
Valtenir Pereira MT Não
Total PSB: 29   
PSC
Andre Moura SE Sim
Antônia Lúcia AC Sim
Carlos Eduardo Cadoca PE Sim
Deley RJ Não
Edmar Arruda PR Sim
Erivelton Santana BA Sim
Filipe Pereira RJ Sim
Lauriete ES Sim
Marcelo Aguiar SP Sim
Nelson Padovani PR Sim
Pastor Marco Feliciano SP Sim
Ratinho Junior PR Sim
Sérgio Brito BA Sim
Silas Câmara AM Sim
Stefano Aguiar MG Sim
Takayama PR Sim
Total PSC: 16   
PSDB
Alfredo Kaefer PR Sim
André Dias PA Sim
Andreia Zito RJ Sim
Antonio Carlos Mendes Thame SP Sim
Antonio Imbassahy BA Sim
Berinho Bantim RR Sim
Bonifácio de Andrada MG Sim
Bruna Furlan SP Sim
Bruno Araújo PE Sim
Carlaile Pedrosa MG Sim
Carlos Alberto Leréia GO Sim
Carlos Brandão MA Sim
Carlos Roberto SP Sim
Carlos Sampaio SP Sim
Cesar Colnago ES Não
Delegado Waldir GO Sim
Domingos Sávio MG Sim
Duarte Nogueira SP Sim
Dudimar Paxiúba PA Sim
Eduardo Azeredo MG Sim
Eduardo Barbosa MG Sim
Hélio Santos MA Sim
João Campos GO Sim
Jorginho Mello SC Sim
Jutahy Junior BA Sim
Luiz Carlos AP Sim
Luiz Fernando Machado SP Sim
Luiz Nishimori PR Sim
Manoel Salviano CE Sim
Mara Gabrilli SP Sim
Marcio Bittar AC Sim
Marcus Pestana MG Sim
Nelson Marchezan Junior RS Sim
Otavio Leite RJ Não
Paulo Abi-Ackel MG Sim
Pinto Itamaraty MA Sim
Raimundo Gomes de Matos CE Sim
Reinaldo Azambuja MS Sim
Ricardo Tripoli SP Não
Rodrigo de Castro MG Abstenção
Rogério Marinho RN Sim
Romero Rodrigues PB Sim
Rui Palmeira AL Sim
Ruy Carneiro PB Sim
Valdivino de Oliveira GO Sim
Vanderlei Macris SP Sim
Vaz de Lima SP Sim
Wandenkolk Gonçalves PA Sim
William Dib SP Sim
Total PSDB: 49   
PSL
Dr. Francisco Araújo RR Sim
Dr. Grilo MG Não
Total PSL: 2   
PSOL
Chico Alencar RJ Não
Ivan Valente SP Não
Total PSOL: 2   
PT
Alessandro Molon RJ Não
Amauri Teixeira BA Não
André Vargas PR Não
Angelo Vanhoni PR Não
Antônio Carlos Biffi MS Não
Arlindo Chinaglia SP Não
Assis Carvalho PI Não
Assis do Couto PR Não
Benedita da Silva RJ Não
Beto Faro PA Não
Bohn Gass RS Não
Cândido Vaccarezza SP Não
Carlinhos Almeida SP Não
Carlos Zarattini SP Não
Chico D`Angelo RJ Não
Cláudio Puty PA Não
Décio Lima SC Não
Devanir Ribeiro SP Não
Domingos Dutra MA Não
Dr. Rosinha PR Não
Edson Santos RJ Não
Eliane Rolim RJ Não
Emiliano José BA Não
Erika Kokay DF Não
Fátima Bezerra RN Não
Fernando Ferro PE Não
Fernando Marroni RS Não
Francisco Praciano AM Não
Gabriel Guimarães MG Não
Geraldo Simões BA Não
Gilmar Machado MG Não
Henrique Fontana RS Não
Janete Rocha Pietá SP Não
Jesus Rodrigues PI Não
Jilmar Tatto SP Não
João Paulo Lima PE Não
João Paulo Cunha SP Não
José De Filippi SP Não
José Guimarães CE Não
José Mentor SP Não
Joseph Bandeira BA Não
Josias Gomes BA Não
Leonardo Monteiro MG Não
Luci Choinacki SC Não
Luiz Alberto BA Não
Luiz Couto PB Não
Márcio Macêdo SE Não
Marco Maia RS Art. 17
Marcon RS Não
Marina Santanna GO Não
Miguel Corrêa MG Não
Miriquinho Batista PA Não
Nazareno Fonteles PI Não
Nelson Pellegrino BA Não
Newton Lima SP Não
Odair Cunha MG Não
Padre João MG Não
Padre Ton RO Não
Paulo Pimenta RS Não
Paulo Teixeira SP Não
Pedro Eugênio PE Não
Pedro Uczai SC Não
Policarpo DF Não
Professora Marcivania AP Não
Ricardo Berzoini SP Não
Rogério Carvalho SE Não
Ronaldo Zulke RS Não
Rubens Otoni GO Não
Rui Costa BA Não
Ságuas Moraes MT Não
Sérgio Barradas Carneiro BA Não
Sibá Machado AC Não
Taumaturgo Lima AC Sim
Valmir Assunção BA Não
Vander Loubet MS Não
Vicentinho SP Não
Waldenor Pereira BA Não
Weliton Prado MG Não
Zé Geraldo PA Não
Zeca Dirceu PR Não
Total PT: 80   
PTB
Antonio Brito BA Sim
Arnaldo Faria de Sá SP Não
Arnon Bezerra CE Não
Celia Rocha AL Sim
Danrlei De Deus Hinterholz RS Sim
Eros Biondini MG Sim
João Lyra AL Sim
Jorge Corte Real PE Sim
José Augusto Maia PE Não
José Chaves PE Sim
Josué Bengtson PA Sim
Jovair Arantes GO Sim
Nelson Marquezelli SP Sim
Nilton Capixaba RO Sim
Paes Landim PI Não
Ronaldo Nogueira RS Sim
Sabino Castelo Branco AM Sim
Sérgio Moraes RS Sim
Silvio Costa PE Não
Walney Rocha RJ Sim
Total PTB: 20   
PTdoB
Cristiano RJ Não
Lourival Mendes MA Não
Luis Tibé MG Não
Total PTdoB: 3   
PV
Alfredo Sirkis RJ Não
Antônio Roberto MG Não
Dr. Aluizio RJ Não
Fábio Ramalho MG Não
Guilherme Mussi SP Não
Lindomar Garçon RO Não
Paulo Wagner RN Não
Ricardo Izar SP Não
Roberto de Lucena SP Não
Roberto Santiago SP Não
Rosane Ferreira PR Não
Sarney Filho MA Não
Total PV: 12   


CENIN - Coordenação do Sistema Eletrônico de Votação

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Resultado Eleitoral 2010: Dilma eleita presidente

Ao contrário do que diz a grande imprensa, Dilma Roussef venceu em 15 estados e no Distrito Federal e o tucano José Serra venceu apenas em 7 estados, sendo que outros 4 estados podemos considerar que houve "empate técnico", pois a diferença foi irrisória.
Ao colocar estados com situações bem diferentes em favor de Serra, como o Acre e o Rio Grande do Sul, a grande mídia tenta "pintar" um Brasil dividido ao meio, o que de fato não condiz com a realidade.
Para isso elaborei um mapa mais realista, que segue logo abaixo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Serra é piada no Twitter

Blog do Yahoo

A polêmica em torno do objeto que atingiu a cabeça do candidato José Serra (PSDB) durante passeata no Rio de Janeiro, quarta-feira, tomou conta das redes sociais nesta quinta-feira, especialmente do Twitter – em tom de piada. Uma câmera do SBT flagrou que Serra foi atingido pelo que parece ser uma simples bolinha de papel, ao contrário do que outras emissoras frisaram – a Rede Globo falou em “bobina de fita crepe”, e a Agência Estado em rolo de papelão. A assessoria do PSDB, num primeiro momento, informou que Serra tinha sido atingido por uma bandeira de um petista. Até o presidente Lula se irritou com a repercussão e criticou a atitude de Serra. Veja a imagem do SBT:


Atingido pela bolinha de papel, Serra foi levado para um hospital da região para fazer um exame de ressonância magnética. O médico que o examinou, Jacob Kligerman, disse que nada errado foi constatado e recomendou repouso de 24 horas.

Foi aí que começaram as piadas na internet. “Quando a criançada da 5ª série descobrir que tomar bolinha de papel garante 24h de repouso, vai ser uma festa”, postou no Twitter o internauta @necaboullosa . “Bolinha de papel: médico recomenda a Serra repouso por quatro anos”, comentou o internauta @planetariopardo. “Lula perdeu dedo, Dilma venceu câncer, Serra leva uma bolinha de papel e pede tomografia...”, postou @maudiz.

As hashtags BoladePapelFacts (uma alusão aos famosos “Chuck Norris Facts”) e SerraRojas chegaram aos Trending Topics como os assuntos mais comentados no mundo. Esta última hashtag faz alusão ao goleiro Roberto Rojas, que simulou ter sido atingido por um rojão em jogo do Brasil contra o Chile no Maracanã, em 1989, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1990. Rojas chegou a fazer um corte na testa com uma lâmina para fazer a farsa ficar ainda mais impressionante. A grande ironia na associação está no fato de que, pela farsa, a Seleção Chilena acabou suspensa por quatro anos – exatamente o período que dura um mandato presidencial – e Rojas foi banido do esporte.

“O Serra é um fingidor/Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A bolinha de papel que deveras sente”, postou o @mundohype, inspirado em poema de Fernando Pessoa.

Alguém que se passa pelo do candidato do Psol, Plínio de Arruda Sampaio, lembrou do caso Paulo Preto, o ex-assessor de Serra, acusado de sumir com R$ 4 milhões da campanha do tucano. “Na bolinha de papel tava escrito: "Não se larga um lider ferido na estrada" Ass: Paulo Preto.”

As piadas com a bolinha de papel foram muito boas. “O exame de ‘bolística’ determinou que o projétil saiu de um chumaço de Maxprint, calibre A4”, disse Rodolfo Cabral.

“Células terroristas Chamex, Maxprint e Aracruz disputam autoria do atentado!”, comentou Pedro Almeida.

“Ações da Faber Castel, Chamex e Xerox saltam e o povo compra papel desesperadamente. Serra teme uma guerra civil”, comentou Felipe Salgado.

“Bolinha de papel é considerada arma branca”, brincou Leticya Simões.

Até o palhaço Tiririca entrou na brincadeira. Eleito deputado federal pelo PR, partido que faz parte da coligação que apoia Dilma Rousseff (PT), Tiririca fez piada com o joquempô, diversão no recreio das escolas: “Pedra vence tesoura. Tesoura vence papel. Papel vence Serra!”

O grande destaque, porém, foi a criação de um perfil da bolinha de papel no Twitter, o Bolinha_dePapel. Em poucas horas a brincadeira já tinha mais de mil seguidores, graças a comentários como “Meu primo papel de seda morre de medo da Soninha”, “Vendo o nível dessa campanha, meu primo papel higiênico não aguentou e se mandou pra reciclagem” e “Fernando Gabeira fez curso com meu primo Papel de Parede, pra ficar com cara de paisagem do lado do Serra.”

Por Alberto Oliveira

Professores universitários respondem às propostas de Serra para a educação

Manifesto em Defesa da Educação Pública (19/10/2010)
Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas.

Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais. Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais. Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública.

Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores.

O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados. No comando
do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais.

Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.

Fábio Konder Comparato, USP
Carlos Nelson Coutinho, UFRJ
Marilena Chaui, USP
Otávio Velho, UFRJ
Ruy Fausto, USP
João José Reis, UFBA
Joel Birman, UFRJ
Dermeval Saviani, Unicamp
Emilia Viotti da Costa, USP
Renato Ortiz, Unicamp
João Adolfo Hansen, USP
Flora Sussekind, Unirio
Maria Victoria de Mesquita Benevides, USP
Laymert Garcia dos Santos, Unicamp
Franklin Leopoldo e Silva, USP
Ronaldo Vainfas, UFF
Otavio Soares Dulci, UFMG
Theotonio dos Santos, UFF
Wander Melo Miranda, UFMG
Glauco Arbix, USP
Enio Candotti, UFRJ
Luis Fernandes, UFRJ
Ildeu de Castro Moreira, UFRJ
José Castilho de Marques Neto, Unesp
Laura Tavares, UFRJ
Heloisa Fernandes, USP
José Arbex Jr., PUC-SP
Emir Sader, UERJ
Leda Paulani, USP
Luiz Renato Martins, USP
Henrique Carneiro, USP
Antonio Carlos Mazzeo, Unesp
Caio Navarro de Toledo, Unicamp
Celso Frederico, USP
(assinam ainda centenas de outros professores das mais diversas universidades públicas brasileiras).

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

“Monica Serra já fez um aborto e sou solidária à sua dor”, afirma ex-aluna da mulher de presidenciável

13/10/2010 12:39,  Por Redação, do Rio de Janeiro e São Paulo
Monica Serra
Sylvia Monica Serra foi professora de dança na Unicamp

O desempenho do presidenciável tucano, José Serra, no debate do último domingo pela TV Bandeirantes, foi a gota d’água para uma eleitora brasileira. O silêncio do candidato diante da reclamação formulada pela adversária, Dilma Rousseff (PT) – de que fora acusada pela mulher dele, a ex-bailarina e psicoterapeuta Sylvia Monica Allende Serra, de “matar criancinhas” –, causou indignação em Sheila Canevacci Ribeiro, a ponto de levá-la até sua página em uma rede social, onde escreveu um desabafo que tende a abalar o argumento do postulante ao Palácio do Planalto acerca do tema que divide o país, no segundo turno das eleições. A coreógrafa Sheila Ribeiro relata, em um depoimento emocionado, que a ex-professora do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Monica Serra relatou às alunas da turma de 1992, em sala de aula, que foi levada a fazer um aborto “no quarto mês de gravidez”.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Brasil, na noite desta segunda-feira, Sheila deixa claro que não era partidária de Dilma ou de Serra no primeiro turno: “Votei no Plínio (de Arruda Sampaio)”, declara. Da mesma forma, esclarece ser apenas uma eleitora, com cidadania brasileira e canadense, que repudiou o ambiente de hipocrisia conduzido pelo candidato da aliança de direita, ao criminalizar um procedimento cirúrgico a que milhões de brasileiras são levadas a realizar em algum momento da vida. Sheila, durante a entrevista, lembra que no Canadá este é um serviço prestado em clínicas e hospitais do Estado, como forma de evitar a morte das mulheres que precisam recorrer à medida “drástica e contundente”, como fez questão de frisar.

No texto, intitulado “Respeitemos a dor de Mônica Serra”, Sheila Ribeiro repete a pergunta de Dilma, que ficou sem resposta:
– Se uma mulher chega em um hospital doente, por ter feito um aborto clandestino, o Estado vai cuidar de sua saúde ou vai mandar prendê-la?
Leia o texto, na íntegra:

Respeitemos a dor de Mônica Serra
“Meu nome é Sheila Ribeiro e trabalho como artista no Brasil. Sou bailarina e ex-estudante da Unicamp onde fui aluna de Mônica Serra.
“Aqui venho deixar a minha indignação no posicionamento escorregadio de José Serra, que no debate de ontem (domingo), fazia perguntas com o intuito de fazer sua campanha na réplica, não dialogando em nenhum momento com a candidata Dilma Roussef.
“Achei impressionante que o candidato Serra evita tocar no assunto da descriminalização do aborto, evitando assim falar de saúde pública e de respeitar tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Mônica Serra já fez um aborto e sou solidária à sua dor.
“Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o aborto, sobre o seu aborto traumático. Mônica Serra fez um aborto. Na época da ditadura, grávida de quatro meses, Mônica Serra decidiu abortar, pois que seu marido estava exilado e todos vivíamos uma situação instável. Aqui está a prova de que o aborto é uma situação terrível, triste, para a mulher e para o casal, e por isso não deve ser crime, pois tantas são as situações complexas que levam uma mulher a passar por essa situação difícil. Ninguém gosta de fazer um aborto, assim como o casal Serra imagino não ter gostado. A educação sobre a contracepção deve ser máxima para que evitemos essa dor para a mulher e para o Estado.
“Assim, repito a pergunta corajosa de minha presidente, Dilma Roussef, que enfrenta a saúde pública cara a cara com ela: se uma mulher chega em um hospital doente, por ter feito um aborto clandestino, o Estado vai cuidar de sua saúde ou vai mandar prendê-la?
“Nesse sentido, devemos prender Mônica Serra caso seu marido seja eleito presidente?
“Pelo Brasil solidário e transparente que quero, sem ameaças, sem desmerecimento da fala do outro, com diálogo e pelo respeito à dor calada de Mônica Serra,
“VOTO DILMA”, registra, em letras maiúsculas, no texto publicado em sua página no Facebook, nesta segunda-feira, às 10h24.

Reflexão
Diante da imediata repercussão de suas palavras, Sheila acrescentou em sua página um comentário no qual afirma ser favorável “à privacidade das pessoas”.
“Inclusive da minha. Quando uma pessoa é um personagem público, ela representa muitas coisas. Escrevi uma reflexão, depois de assistir a um debate televisivo onde a figura simbólica de Mõnica Serra surgiu. Ali uma incongruência: a pessoa que lutou na ditadura e que foi vítima de repressão como mulher (com evento trágico naquele caso, pois que nem sempre o aborto é trágico quando é legalizado e normalizado) versus a mulher que luta contra a descriminalização do aborto com as frases clássicas do “estão matando as criancinhas”. Quem a Mônica Serra estaria escolhendo ser enquanto pessoa simbólica? Se é que tem escolha – foi minha pergunta.
“Muitas pessoas públicas servem-se de suas histórias como bandeiras pelos direitos humanos ou, ainda, ficam quietas quando não querem usá-las. Por isso escrevi ‘respeitemos a dor’. Para mim é: respeitemos que muita gente já lutou pra que o voto existisse e que para que cada um pudesse votar, inclusive nulo; muita monica-serra-pessoa já sofreu no Brasil e em outros países na repressão para que outras mulheres pudessem escolher o que fazer com seus corpos e muitas monicas-serras simbólicas já impediram que o aborto fosse descriminalizado.
“Muitas pessoas já foram lapidadas em praça pública por adultério e muitas outras lutaram pra que a sexualidade de cada um seja algo de direito. A minha questão é: uma pessoa que é lapidada em praça pública não faz campanha pela lapidação, então respeitemos sua dor, algo está errado. Se uma pessoa pública conta em público que foi lapidada, que foi vítima, que foi torturada, que sofreu, por motivos de repressão, esse assunto deve ser respeitadíssimo.
“Vinte por cento da população fazem abortos e esses 20% tem o direito absoluto de ter sua privacidade, no entanto quando decidem mostrar-se publicamente não entendo que estes assimilem-se ao repressor”, acrescentou a ex-aluna de Monica Serra, que teria relatado a experiência, traumática, às alunas da turma de 1992.

Exílio e ditadura
Sheila diz ainda, em seu depoimento, que “muitas pessoas querem ‘explicações” para o fato de ela declarar, publicamente, o que a ex-professora disse às suas alunas na Unicamp.
“Eu sou apenas uma pessoa, uma mulher, uma cidadã que viu um debate e que se assustou, se indignou e colocou seu ponto de vista na internet. Ao ver Dilma dizendo que Mônica falou algo sobre ‘matar criancinhas’, duvidei.
“Duvidei porque fui sua aluna e compartilhei do que ela contou, publicamente (que havia feito um aborto), em sala de aula. Eu me disse que uma pessoa que divide sua dor sobre o aborto, sobre o exílio e sobre a ditadura, não diria nunca uma atrocidade dessas, mesmo sendo da oposição. Essa afirmação de ‘criancinhas assassinadas’ é do nível do ‘comunista come criancinha’. A Mônica Serra é mais classe do que isso (e, aliás, gosto muito dela, apesar do Serra não ser meu candidato).
“Por isso, deixei claro o meu posicionamento que o aborto não pode ser considerado um crime – como não é na Itália, na França e em outros países. Nesse sentido não quero ser usada como uma ‘denunciadora de um ‘delito’. Ao contrário, estou relembrando na internet, aos meus amigos de FB (Facebook), que o aborto é uma questão complexa que envolve a todos e que, como nos países decentes, não pode ser considerado um crime – mas deve ser enfrentado como assunto de saúde.
“O Brasil tem muitos assuntos a serem tratados, vamos tratá-los com o carinho e com a delicadeza que merece.
“Agora volto ao meu trabalho”, conclui Sheila o seu relato na página da rede social.

Sem resposta
Diante da afirmativa da ex-aluna de Sylvia Monica Serra, o Correio do Brasil procurou pelo candidato, no Twitter, às 23h57:
“@joseserra_ Sr. candidato Serra. Recebemos a informação de que Dnª Monica Serra teria feito um aborto. O sr. tem como repercutir isso?”
Da mesma forma, foi encaminhado um e-mail à assessoria de imprensa e, posteriormente, um contato telefônico com o comitê de Serra, em São Paulo. Até o fechamento desta matéria, às 1239h desta quarta-feira, porém, não houve qualquer resposta à pergunta. O candidato, a exemplo do debate com a candidata petista, novamente optou pelo silêncio.

BAL LIVORNO ANTIFA